Author Topic: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?  (Read 45164 times)

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Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« on: January 06, 2009, 05:06:54 pm »
Uma das duas é "melhor" que outra? Em que sentido?
"A noite encobria a natureza e suas leis. Deus disse: FAÇA-SE NEWTON! E tudo foi luz..." - Alexander Pope

Offline Miguel Duclós

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #1 on: January 06, 2009, 11:36:03 pm »
Bom, eu sempre ouço falar que até a ditadura, no Brasil, a escola boa era a escola pública, de uma maneira geral. A escola particular era usada por quem não conseguia acompanhar o ritmo da pública, exceção feita à alguns colégios particulares tradicionais e o ensino religioso.

Depois, a situação se inverteu, a escola pública passou a ser muito ruim e a educação, como tudo, virou um grande negócio, sendo os colégios particulares os que melhor preparavam.

Mas está tudo preso num esquema de imbecilização do povo, a escola forma apenas para o mercado, com pouca ênfase no pensamento crítico e na cidadania ampla. Na escola pública, temos aprovação continuada, sacanagem feita para melhorar as estatísticas, de forma que o aluno passa de ano sem ter aprendido a matéria, e estão surgindo legiões de analfabetos funcionais.

Isso pode ocorrer também em particulares picaretas do estilo "pagou, passou". Uma conhecida minha, professora de filosofia num colégio técnico, foi demitida sem justa causa, apenas porque se recusou a passar de ano uma aluna inepta. O pai, figura importante na cidade, pressionou a direção, mas ela não cedeu. A direção demitiu esta professora, no estilo "o cliente sempre tem razão".

No caso do ensino superior, as federais e estaduais funcionam como uma espécie de "compensação" para a classe média que pagou o ensino fundamental e médio, já que a maior parte da produção científica vêm do ensino superior público.
« Last Edit: January 07, 2009, 03:32:53 am by Miguel Duclós »

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #2 on: January 07, 2009, 06:42:52 pm »
eu sempre ouço falar que até a ditadura, no Brasil, a escola boa era a escola pública, de uma maneira geral. A escola particular era usada por quem não conseguia acompanhar o ritmo da pública, exceção feita à alguns colégios particulares tradicionais e o ensino religioso.
Sem qualquer defesa aos militares, mas isto está absolutamente correto! Os alunos que não conseguiam acompanhar o ensino público tomavam algumas aulas com professores particulares ou então matriculavam-se nas escolas particulares. O ensino público era forte e exigia-se muito mais disciplina  dos alunos e professores, que hoje se exige, ou seja, havia respeito dentro das escolas, tanto de uma parte (alunos) como de outra (professores).



Depois, a situação se inverteu, a escola pública passou a ser muito ruim e a educação, como tudo, virou um grande negócio, sendo os colégios particulares os que melhor preparavam.
É a velha estória do boi que só engorda quando está sob os olhos do dono...
A escola particular é uma empresa, e como tal, deve ser eficiente. O funcionalismo público sempre apresentou problemas, mas nunca como depois da retomada da democracia após  a saída dos militares. A saída dos militares deixou muitas portas abertas aos picaretas da administração. Sem uma mão forte sobre eles, sentiram-se a vontade para negociar cargos públicos e praticar toda sorte de desmandos financeiros e legislativos.

"Democracia" exige que o povo fiscalize e seja exigente quanto à punição de desmandos... Caso contrário acontece o que se vê hoje no Ensino, na Saúde e no Transporte públicos; o povo é insultado e tratado como gado.
O povo não fiscaliza nem a gasolina com solvente de borracha que coloca no carro, não fiscaliza nem o leite com água oxigenada que bebe... É um "salve-se quem puder"... É um "sai da frente que eu tô com pressa"...

A atual cultura do funcionalismo público é  a de ganhar o máximo trabalhando o mínimo possível. Essa cultura leva alguns funcionários públicos que lidam diretamente no atendimento ao público, a afixar nos seus guichês  de atendimento os seguintes dizeres:   "Desacato  -  Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:  Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, ou multa."

O funcionário público que coloca plaquinhas como esta,  tem plena ciência de que sua repartição está altamente propícia a prestar um péssimo serviço ao público que a mantém. Mas ele não se sente parte do problema...

Conheço funcionário público que faz "operação tartaruga" toda semana. Operação tartaruga consiste na prática de não fazer NADA num determinado dia combinado entre ele e seus companheiros de repartição. Também há o corporativismo de um encobrir a falta  do outro, o que possibilita que todos possam faltar ao serviço em forma de revezamento.


Na escola pública, temos aprovação continuada, sacanagem feita para melhorar as estatísticas(...)
O espírito (de porco) do funcionalismo público associado à Progressão Continuada nas escolas públicas, são um convite ao ócio e ao desinteresse dos professores e funcionários de escolas públicas.  Os alunos são aprovados mesmo sem ter aprendido e isso é um alento para alunos e professores preguiçosos. Alias, a preguiça é algo que só acaba mediante a responsabilidade. Os resultados do ENEM não me deixam mentir.

O grande problema do funcionalismo público, em minha opinião, é a estabilidade permanente.  Ou seja, para não ficarem expostos à vulnerabilidade dos sucessivos governos, eles gozam de uma estabilidade de emprego que não permite que nenhum governo os demita. Então, em cima dessa lei que na verdade se justifica, os governos acabam ficando meio que na mão desse pessoal que, unidos, não são poucos. Além de não serem poucos, eles têm nas mãos os órgãos públicos e, a sua má gestão se traduz na má gestão do governo da vez. Quer dizer, se o candidato "fulano" não se alinhar às aspirações do funcionalismo público, ele sofrerá a rejeição de uma massa organizada. Caso ele seja eleito, o funcionalismo unido pode tornar sua administração um verdadeiro caos, com greves, sabotagens e outros expedientes.

 
(...)a educação, como tudo, virou um grande negócio(...)
Sim, essa é a raiz de "todos" os problemas:  "Os negócios".  Se o vendedor de abobrinhas me disser que sua abobrinha é boa, não fará diferença alguma as suas palavras! Pois ele só está negociando... Se ele disser que sua abobrinha é ruim, eu o considerarei um louco, ou então, que ele está tentando ganhar minha confiança para depois ter um lucro maior.  Nos negócios não existe nem pode haver confiança entre as pessoas.



Mas está tudo preso num esquema de imbecilização do povo, a escola forma apenas para o mercado, com pouca ênfase no pensamento crítico e na cidadania ampla.
É a forma que encontraram para manter o establishment:

Uma massa de analfabetos funcionais, trabalhando barato para uma seleta minoria.  O mesmo ocorre nos EUA (primeiro mundo), os números do Ensino por lá, são meio que maquiados como aqui. Diz que todos são educados, mas em que níveis? Uma escola no Harlem tem o mesmo nível de ensino que uma escola em Miami? O ensino superior público deles é ótimo, mas não atende a massa de jovens que acaba ficando sem ensino superior. Cuba recebe muitos universitários estadunidenses com bolsas gratuitas de medicina. De maneira hipócrita os EUA, mesmo com um serviço de saúde privado explorador, e a evidente falta de médicos, não reconhecem o diploma cubano, apesar deste país ser referência na Medicina mundial.


« Last Edit: January 08, 2009, 06:27:40 pm by Brasil »

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #3 on: January 10, 2009, 02:30:15 pm »
Falando sobre educação pública, acho que, em primeiro lugar, devemos definir o que significa a "qualidade" na educação.

No tempo dos militares, a tendência pedagógica que prevalecia era a chamada tradicional, em que os alunos apanhavam em sala de aula e nem sequer podiam abrir a boca pra dar opinião sobre alguma coisa. O que se esperava da educação, na maior parte do tempo da ditadura, era uma formação que tendia para o técnico, para o trabalho. Para isso, bastava-se decorar e repetir tudo o que o professor falava. A educação não era crítica, ninguém estava preocupado com a formação de indivíduos críticos (o que é pode ser ilustrado pela exclusão da filosofia e da sociologia do currículo na educação básica - disciplinas que não propiciam a "produção" de nada - ou melhor, substituídas por “reformulações” pelas disciplinas EMC e OSPB), mas sim com a formação de trabalhadores, talvez até cidadãos, mas cidadãos que não criticassem o tal sistema. Cidadãos apenas no velho conceito de “seguimento de direitos e deveres”.

De maneira autoritária, a "educação militar" conseguia seu intuito perfeitamente.

Com o fim da ditadura, a coisa se tornou mais difícil. A sociedade precisa agora da formação de cidadãos (pessoas comprometidas com a “política” no sentido grego) e, também, indivíduos críticos, imprescindíveis à organização de uma boa democracia.

Porém, a sociedade do consumo precisa apenas de trabalhadores competentes (que não precisam ser críticos), e consumidores imbecis. Podemos dizer, inclusive, que a maioria das pessoas consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Na Educação Básica, qualquer professor pode relatar o quão difícil é esse trabalho. Estimulados por um mercado alienante, pela família e por quase todas as esferas da sociedade, os alunos acham que é mais “cômodo” e mais “fácil” apenas memorizar os conteúdos, sem nada criticar, sem nunca pensar, levando a educação no sentido tradicional. E pior é que a maioria dos professores, diante disso, aceitam a “demanda” dos alunos, ou mesmo impõem o tradicionalismo, por ser mais fácil de aplicar. Enquanto a escola (alguns indivíduos) tentam fazer entender que o aluno é responsável por sua própria educação, a mídia culpa cada vez mais as instituições pela “má” qualidade do ensino.

Enquanto a educação formal pública (alguns indivíduos) trabalham numa direção, toda a sociedade vai numa direção totalmente oposta. Hoje, inclusive, os meios de comunicação têm um papel fundamental na educação. Enquanto os donos desses meios não tomarem conta disso, a educação continuará caminhando em direção aleatória.

Quanto à educação na esfera privada, digo que todas as escolas são apenas empresas. Jamais se fará alguma coisa, nessas escolas, que possa lhes dar prejuízo. O fato de serem privadas as coloca na lógica do capital, e desconstrói todo o ideário de educação. O fim da educação deve ser a formação do educando, e não o lucro. Mas isso Sócrates já ensinava.

Abs.
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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #4 on: January 10, 2009, 06:37:29 pm »
Falando sobre educação pública, acho que, em primeiro lugar, devemos definir o que significa a "qualidade" na educação.
Qualidade na Educação significa fazer os alunos atingirem níveis satisfatórios no aprendizado. Os exames do ENEM mostram a evidente e incontestável péssima qualidade do Ensino Público.



No tempo dos militares, a tendência pedagógica que prevalecia era a chamada tradicional, em que os alunos apanhavam em sala de aula e nem sequer podiam abrir a boca pra dar opinião sobre alguma coisa.
Desculpe, mas de onde você tirou isso? “Apanhavam em sala de aula”?


O que se esperava da educação, na maior parte do tempo da ditadura, era uma formação que tendia para o técnico, para o trabalho.
E a Educação de hoje, tanto Pública quanto Privada,  tende para o que?



Para isso, bastava-se decorar e repetir tudo o que o professor falava. A educação não era crítica, ninguém estava preocupado com a formação de indivíduos críticos(...)
E hoje? Estão preocupados?  Hoje a Educação é “crítica”?


(o que é pode ser ilustrado pela exclusão da filosofia e da sociologia do currículo na educação básica - disciplinas que não propiciam a "produção" de nada - ou melhor, substituídas por “reformulações” pelas disciplinas EMC e OSPB), mas sim com a formação de trabalhadores, talvez até cidadãos, mas cidadãos que não criticassem o tal sistema. Cidadãos apenas no velho conceito de “seguimento de direitos e deveres”.
Bem, quem acabou com a Filosofia nas escolas públicas foi FHC, bem depois da saída dos militares.  As disciplinas de EMC e OSPB limitavam-se às leis vigentes... Assim como ocorre hoje, com a diferença de que os conceitos morais administrados por essas disciplinas, agora são difundidos pelos meios de mídia populares; rádio, tv, jornal, etc.  Os conceitos são enfiados goela abaixo das pessoas e elas nem se dão conta... Evidentemente, não são todos os mesmos conceitos de antes, mas continuam sendo muitos os conceitos difundidos.


De maneira autoritária, a "educação militar" conseguia seu intuito perfeitamente.
O autoritarismo dos militares se restringiu à política eleitoral e à mídia impressa, radiofônica e televisiva, ou seja, à censura. Nas escolas NÃO HAVIA AUTORITARISMO e sim, disciplina mais rígida que hoje, só isso.  Eu nunca vi ninguém ser agredido... Estudei na época dos militares...


Com o fim da ditadura, a coisa se tornou mais difícil. A sociedade precisa agora da formação de cidadãos (pessoas comprometidas com a “política” no sentido grego) e, também, indivíduos críticos, imprescindíveis à organização de uma boa democracia.
Porém, a sociedade do consumo precisa apenas de trabalhadores competentes (que não precisam ser críticos), e consumidores imbecis. Podemos dizer, inclusive, que a maioria das pessoas consegue ser as duas coisas ao mesmo tempo.
Veja, não é atribuição da escola, formar cidadãos “críticos”, e sim cidadãos CULTOS. Não há como a escola formar cidadãos “críticos”, pois em todos os assuntos há controvérsias e partidarismos diversos. Ela não pode, de forma alguma, impor sua opinião sobre temas políticos contemporâneos! Deve apenas administrar um bom ensino apartidário.  Com uma cultura de bom nível, que presume-se, deveria ser dada pelas escolas, as pessoas teriam mais chances de, aí sim, serem mais críticas.

Não há como ser um bom “crítico”, sem cultura  ou com pouca cultura.  Esta é a questão.



Enquanto a educação formal pública (alguns indivíduos) trabalham numa direção, toda a sociedade vai numa direção totalmente oposta.
Qual direção?


Hoje, inclusive, os meios de comunicação têm um papel fundamental na educação. Enquanto os donos desses meios não tomarem conta disso, a educação continuará caminhando em direção aleatória.
Desculpe, mas eu não entendi. O que exatamente “os meios de comunicação” deveriam fazer com relação à Educação Pública ou Privada? 



« Last Edit: January 10, 2009, 07:12:55 pm by Brasil »

Offline Miguel Duclós

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #5 on: January 10, 2009, 10:27:08 pm »
"Sem qualquer defesa aos militares, mas isto está absolutamente correto! Os alunos que não conseguiam acompanhar o ensino público tomavam algumas aulas com professores particulares ou então matriculavam-se nas escolas particulares"

Aqui e nos pontos subsequentes sobre o tema eu discordo. O que quis dizer é que foram justamente os militares que sucatearam o ensino público. Toda a a eficiência do Estado vinha da Era Vargas, os militares tornaram o estado gigantesco e ineficiente, além de fonte de corrupção e mamatas. No livro do Côn. Vidigal que é colaborador aqui do Consciência ele fala disso num exemplo prático. Diz que até 1964, quando ele dava aulas de história, havia uma exposição de seminário e depois debate. E o tempo destinado a debates via de regra mostrava-se curto. Dez anos depois (1974) ele contrapõe o mesmo método de ensino, porém ninguém sabia mais apresentar uma questão  e muito menos debater, falava-se um minuto e esgotava-se o assunto. O debate crítico foi banido, filosofia também foi banida pelos militares, através do infame acordo MEC-USAID, que adequou o sistema em prol dos interesses americanos pelo Brasil. Os autores clássicos foram deixados de lado por uma doutrinação pseudo-ideológica, com as aulas de educação e cívica. O prestígio e eficiência do ensino público, repito era fruto das políticas da Era Vargas, contra os quais os militares se insurgiram. Por isso não fica difícil imaginar, como o colega falou, porque o ensino ficou acrítico.

Aliás, é impreciso falar que foram os militares, pois estes eram instrumento da elite civil, a ditadura era verdadeiramente civil, e continua no poder até hoje. Sobre esse ponto, recomendo o seguinte artigo:

http://outubro.blogspot.com/2008/11/1964-o-golpe-civil.html
« Last Edit: January 10, 2009, 11:56:30 pm by Miguel Duclós »

Offline Miguel Duclós

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #6 on: January 11, 2009, 05:01:19 am »
O ProUni também tem sido muito criticado por não satisfazer os requisitos para uma educação fundamentada, e ser mais um "tapa-buraco" paliativo do governo para tentar regular o "vale-tudo" mercadológico que tornou-se o ensino. Lembrei disso quando vi esta notícia do Terra:

http://noticias.terra.com.br/educacao/interna/0,,OI3440316-EI8266,00.html

"Faculdades do ProUni dominam a lista das piores"

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #7 on: January 12, 2009, 05:51:07 pm »
Qualidade na Educação significa fazer os alunos atingirem níveis satisfatórios no aprendizado. Os exames do ENEM mostram a evidente e incontestável péssima qualidade do Ensino Público.

Aprendizado de quê? Essa é a questão. Os "anseios" da sociedade, no que tange á educação, mudam conforme a época e a situação política do país. E os conceitos de educação por si só evoluem. A educação pode ser dita de qualidade quanto alcança seus objetivos. Mas não se pode dizer que os objetivos da educação (MEC) em 1970 eram os mesmos de hoje.

Desculpe, mas de onde você tirou isso? “Apanhavam em sala de aula”?

Falo da palmatória, que na verdade foi instituída pelos jesuítas, mas só foi realmente abolida em 1990, com criação do Estatuto da Criança e do Adolescente.

E a Educação de hoje, tanto Pública quanto Privada,  tende para o que?

E hoje? Estão preocupados?  Hoje a Educação é “crítica”?

Bem, quem acabou com a Filosofia nas escolas públicas foi FHC, bem depois da saída dos militares. 

O autoritarismo dos militares se restringiu à política eleitoral e à mídia impressa, radiofônica e televisiva, ou seja, à censura. Nas escolas NÃO HAVIA AUTORITARISMO e sim, disciplina mais rígida que hoje, só isso.  Eu nunca vi ninguém ser agredido... Estudei na época dos militares...


http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb10.htm#texto
http://www.brasilescola.com/sociologia/objetivos-educacao.htm
http://www.brasilescola.com/educacao/filosofia-educacao-basica-cidadania.htm
(apenas textos superficiais.)

As disciplinas de EMC e OSPB limitavam-se às leis vigentes... Assim como ocorre hoje, com a diferença de que os conceitos morais administrados por essas disciplinas, agora são difundidos pelos meios de mídia populares; rádio, tv, jornal, etc.  Os conceitos são enfiados goela abaixo das pessoas e elas nem se dão conta... Evidentemente, não são todos os mesmos conceitos de antes, mas continuam sendo muitos os conceitos difundidos.


Que conceitos são esses?

Veja, não é atribuição da escola, formar cidadãos “críticos”, e sim cidadãos CULTOS. Não há como a escola formar cidadãos “críticos”, pois em todos os assuntos há controvérsias e partidarismos diversos. Ela não pode, de forma alguma, impor sua opinião sobre temas políticos contemporâneos! Deve apenas administrar um bom ensino apartidário.  Com uma cultura de bom nível, que presume-se, deveria ser dada pelas escolas, as pessoas teriam mais chances de, aí sim, serem mais críticas.

Não há como ser um bom “crítico”, sem cultura  ou com pouca cultura.  Esta é a questão.


Defina-me "crítica" e "cultura", para que eu possa treplicar.

Qual direção?


A formação do educando, pelo dicurso pedagógico nas universidades de hoje, deve primar pela formação de indivíduos políticos, mas não de profissionais acríticos.
Como explicado no link acima, um dos lemas da ditadura era: “estudante para estudar e trabalhador para trabalhar”. O objetivo do estudante devia ser simplesmente tornar-se um trabalhador, visto que não havia abertura para engajamento ou formação de opinião política.
Quando falo em política, não falo necessariamente em engajamento partidário. Não jogar lixo na rua é um ato político, pois expressa uma opinião política, uma preocupação com o todo.

Desculpe, mas eu não entendi. O que exatamente “os meios de comunicação” deveriam fazer com relação à Educação Pública ou Privada? 

Falo em educação informal e não-formal.
O estudante não é só educado pela escola (educação formal) mas adquire informações fora da escola.

Esta educação dirigida pelos meios de comunicação (mídia) educa basicamente para o consumo, ou simplesmente deseduca. Uma educação informal que quase tende, ironicamente, para o não-formal. Na educação básica, principalmente, há estudantes que acreditam mais no que vêem no telejornal do que nos professores, principalmente quando se trata de informações de cunho político.
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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #8 on: January 12, 2009, 05:57:37 pm »
O ProUni também tem sido muito criticado por não satisfazer os requisitos para uma educação fundamentada, e ser mais um "tapa-buraco" paliativo do governo para tentar regular o "vale-tudo" mercadológico que tornou-se o ensino. Lembrei disso quando vi esta notícia do Terra:

http://noticias.terra.com.br/educacao/interna/0,,OI3440316-EI8266,00.html

"Faculdades do ProUni dominam a lista das piores"

Que acham?

Ainda especulo que o Prouni é apenas uma maneira de aproximar cada vez mais o ensino público do privado, para, num futuro talvez próximo, tornar menos violenta a fundição do primeiro no segundo.

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #9 on: January 15, 2009, 06:15:51 pm »
Aqui e nos pontos subsequentes sobre o tema eu discordo. O que quis dizer é que foram justamente os militares que sucatearam o ensino público.
Ao meu ver, o grande problema do Ensino Público atual não se deve a “sucateamentos”... “Sucateamento” nos leva à ideia de falta de recursos...  Não me parece ser este o motivo dos péssimos resultados apontados pelo ENEM.  Quais recursos estariam faltando? Ao que me parece praticamente todos estão matriculados, com exceção do Ensino Superior não fica ninguém de fora... O grande problema é a cultural ineficiência do funcionalismo público. Se está faltando algum recurso, então deve ser recurso ético e moral.


Toda a  eficiência do Estado vinha da Era Vargas, os militares tornaram o estado gigantesco e ineficiente, além de fonte de corrupção e mamatas.
Concordo contigo que a Era Vargas foi a época de maior desenvolvimento no Ensino, concordo também que os militares tornaram o Estado ineficiente, corrupto... Mas não há nem comparação com a ineficiência atual e muito menos com a corrupção atual!

Coisa MUITO rara era um professor faltar à aula... E hoje, é raro?
O ensino dado pelos professores era forte. Hoje o aluno do Ensino Médio Público não consegue interpretar e nem redigir um texto curto. Alguns Estados obtiveram nota 3 no ENEM. Essa situação era inimaginável na minha época...  Hoje os professores têm medo dos alunos... Isso não era assim! Não era mesmo!  Alias, essas estórias de "aluno apanhando em sala de aula" me parece uma grande manobra de fomento da nossa mídia geral libertina. Não sei de onde surgem essas ideias... Faz lembrar os estadunidenses da década de 50 dizendo uns pros outros que os comunistas eram degenerados comedores de criançinhas.


Aliás, é impreciso falar que foram os militares, pois estes eram instrumento da elite civil, a ditadura era verdadeiramente civil, e continua no poder até hoje.
Pois é, só mudaram os fantoches. Agora temos um governo com muito mais fantoches em relação ao tempo dos militares.  Temos também uma suposta “liberdade” que, em se tratando de um povo cuja maioria é semi-analfabeto, só está servindo para confundir a cabeça das pessoas. Não podíamos falar mal do governo... Agora podemos... E daí? O Clodovil, o Maluf e o Frank Aguiar foram eleitos assim mesmo...   Sem cultura não há crítica que preste.


« Last Edit: January 16, 2009, 01:56:40 pm by Brasil »

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #10 on: January 15, 2009, 07:17:42 pm »
Aprendizado de quê? Essa é a questão.
Caro amigo!! Aprendizado BÁSICO! Os alunos do Ensino Médio Público estão recebendo nota média 3 !


Os "anseios" da sociedade, no que tange á educação, mudam conforme a época e a situação política do país. E os conceitos de educação por si só evoluem. A educação pode ser dita de qualidade quanto alcança seus objetivos. Mas não se pode dizer que os objetivos da educação (MEC) em 1970 eram os mesmos de hoje.
Eu só posso concordar com o que você disse. E tendo como ponto de vista exatamente o que você disse, podemos dizer que o Ensino Público da época dos militares era melhor do que o de agora. Pois eu não creio que os atuais “anseios” da sociedade sejam o semi-analfabetismo funcional.

Você falou em novas aspirações ou anseios... Eu concordo com isso! Mas o básico SEMPRE será o básico: Matemática, Português, Geografia, Ciências e História. Sem isso há crítica? Que crítica? Uma “crítica” ignorante e raivosa?
Uma crítica feita por pessoas que não conseguem interpretar um texto curto?
 

Falo da palmatória, que na verdade foi instituída pelos jesuítas, mas só foi realmente abolida em 1990
Desculpe-me, caro amigo. Mas NUNCA houve  uso de palmatória nas escolas durante o governo militar. Pergunte a qualquer pessoa com mais de 45 anos. O uso de palmatória foi anterior ao final década de 50.  Se você acredita que realmente só foi abolido o uso da palmatória no ano de 1990, então pergunte a alguém com mais de 30 anos. Palmatória é coisa da década de 40.



http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb10.htm#texto
http://www.brasilescola.com/sociologia/objetivos-educacao.htm
http://www.brasilescola.com/educacao/filosofia-educacao-basica-cidadania.htm
(apenas textos superficiais.)
São interessantes os textos, mas não respondem à minha pergunta: E a Educação de hoje, tanto Pública quanto Privada,  tende para o que?

Você havia dito : “O que se esperava da educação, na maior parte do tempo da ditadura, era uma formação que tendia para o técnico, para o trabalho.”
E eu pergunto: A educação administrada agora tende para o que? Não seria para a mesma coisa?



Que conceitos são esses?
São os conceitos que fomentam idéias e comportamentos que interessam somente aos que detêm o poder no nosso país e no mundo. Tal como você bem explanou neste trecho da sua mensagem, que reproduzo abaixo:

O estudante não é só educado pela escola (educação formal) mas adquire informações fora da escola.
Esta educação dirigida pelos meios de comunicação (mídia) educa basicamente para o consumo, ou simplesmente deseduca. Uma educação informal que quase tende, ironicamente, para o não-formal. Na educação básica, principalmente, há estudantes que acreditam mais no que vêem no telejornal do que nos professores, principalmente quando se trata de informações de cunho político.



Defina-me "crítica" e "cultura", para que eu possa treplicar.
Por favor, faça sua tréplica a partir da sua definição de “crítica” e “cultura”. Não creio que minha definição sobre tais temas seja muito diferente da sua.


A formação do educando, pelo dicurso pedagógico nas universidades de hoje, deve primar pela formação de indivíduos políticos, mas não de profissionais acríticos.
Como eu disse, não há crítica que se aproveite de quem não tem ou tem pouca cultura.  Para a escola formar “indivíduos políticos” basta ela cumprir seu papel de educar SATISFATORIAMENTE. A “critica”, como eu te disse, vem das OPINIÕES das pessoas, e é imprescindível que estas tenham um bom nível cultural, para que possam ter opiniões, no mínimo, sensatas.


Como explicado no link acima, um dos lemas da ditadura era: “estudante para estudar e trabalhador para trabalhar”. O objetivo do estudante devia ser simplesmente tornar-se um trabalhador, visto que não havia abertura para engajamento ou formação de opinião política.
Eu fico muito confuso com tudo isso...  Fazem 22 anos que o militarismo acabou e, qual é o “lema” de hoje no Ensino?  QUAL é o objetivo do estudante hoje? Não é voltado para o TRABALHO?

Qual é o engajamento que existe hoje? O que existe hoje é um completo desinteresse dos jovens pela política do país.

Quem tirou os militares do poder?  Não foram os jovens educados pelo referido regime? Quem participou ativamente das Manifestações pelas Diretas Já? Foram os anciãos do país, à época? Ou os estudantes?


O ProUni também tem sido muito criticado por não satisfazer os requisitos para uma educação fundamentada, e ser mais um "tapa-buraco" paliativo do governo para tentar regular o "vale-tudo" mercadológico que tornou-se o ensino.
Isso é lamentável! Como sempre, arranja-se “soluções” enganadoras que SEMPRE estão enchendo os bolsos de alguns “espertos”...  Foi assim com a SUDENE, com a SUDAN, com o PROER, BNH, BNDES, etc.


Ainda especulo que o Prouni é apenas uma maneira de aproximar cada vez mais o ensino público do privado, para, num futuro talvez próximo, tornar menos violenta a fundição do primeiro no segundo.
Eu não havia pensado neste aspecto... Faz muito sentido. É a lógica de se desfazer dos problemas em vez de resolve-los, típica de “bons” políticos.

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Gostaria de comentar algo sobre estes trechos de um dos textos cujos links o amigo jota erre colocou:

Quote
No que se refere à Filosofia, é como tragédia que a história tem se repetido. Enquanto uns acreditam que a Filosofia na educação básica não tem a mínima afinidade com os estudantes brasileiros, outros entendem que os próprios estudantes nada fazem por merecê-la. O que se diz é o seguinte: “Os estudantes da educação básica brasileira não muito fracos e não estão preparados para a Filosofia”.
Bem, afirmar que os estudantes da Educação brasileira são muito fracos e despreparados para a Filosofia, não significa afirmar que eles não fazem por merece-la!!  Eles merecem! E como merecem!! Simplesmente NÃO FORAM preparados pelos órgãos competentes, ou seja; a Escola. 


Quote
À parte o absurdo dessa afirmação, aqui é caso de se perguntar: O que é estar preparado para a Filosofia? Certamente é considerado “preparado” para o saber filosófico aquele indivíduo que freqüentou ótimos colégios, pôde receber uma esmerada educação familiar e social na fase pré-escolar da vida.
Visão curiosa essa do “despreparo”, porquanto é sabido que o sistema educacional brasileiro, como é próprio também ao capitalismo, sempre manteve uma escola para a elite e outra para as camadas populares da sociedade. O argumento do “despreparo” serve apenas para reforçar esse tipo deplorável de elitismo.
E o que se sugere em contra-partida? Administrar Filosofia a quem não lê com desenvoltura? Ensinar  Filosofia a quem não sabe fazer contas? Ensinar  Filosofia a quem não sabe apontar o seu país no mapa?

Pelo que deu pra entender o autor do texto acredita que a Filosofia deveria ser MAIS UMA das matérias que os alunos “comuns” NÃO  estão aprendendo.  Se fosse só acrescentar disciplinas e ver com isso  melhorado o ensino, então deveríamos colocar também outras matérias aos estudantes do Ensino Médio, como;  Nanociências,  Ciência da Computação, até mesmo a própria Medicina ou a Psicologia... Não é mesmo?   Só que fica a pergunta: Qual seria o resultado disto?  Uma vez que é constatado oficialmente o baixíssimo nível dos estudantes em disciplinas básicas para o perfeito entendimento das demais.

Filosofar é aprofundar o pensamento. Não digo que uma pessoa que não saiba ler e escrever não consiga produzir pensamentos filosóficos. Consegue! O problema é ela conseguir expressar isso. Outro problema é ela buscar  argumentos para sustentar o seu pensamento filosófico. Volto a dizer: Um analfabeto pode filosofar, mas ficam totalmente comprometidas, tanto as suas expressões, quanto as suas conclusões filosóficas. Agora, filosofar  não se ensina, o que se ensina é a história da Filosofia e os conceitos filosóficos mais propagados ou relevantes. O que não deixa de ser importante, mas só se compreende esta história e estes conceitos à medida que se tem alguns outros conhecimentos básicos imprescindíveis para o bom entendimento dos aspectos históricos, geográficos, políticos, sociais, humanísticos e holísticos. Que são na verdade, ou devem ser,  o arcabouço de qualquer filosofia que se preze. 


« Last Edit: January 16, 2009, 08:39:25 pm by Brasil »

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #11 on: January 17, 2009, 02:10:38 am »
Caro amigo!! Aprendizado BÁSICO! Os alunos do Ensino Médio Público estão recebendo nota média 3 !

Você falou em novas aspirações ou anseios... Eu concordo com isso! Mas o básico SEMPRE será o básico: Matemática, Português, Geografia, Ciências e História. Sem isso há crítica? Que crítica? Uma “crítica” ignorante e raivosa?
Uma crítica feita por pessoas que não conseguem interpretar um texto curto?

O que estamos tratando, caro amigo, é de uma diferença didática e metodológica, não de conteúdo. O método Paulo Freire, por exemplo, voltado para a educação de jovens e adultos, teve sua implantação impedida pela ditadura, e o educador, inadvertidamente, foi preso por 70 dias logo após o golpe de 64.

O que faz a diferença na educação, caro, é justamente a metodologia. Se um conteúdo é passado de forma autoritária e indiscutível, jamais o pensamento crítico vai ser estimulado. É necessário o aluno saber que pode discordar, que pode acrescentar, que pode enfim, criticar.

Lamentavelmente, admito, hoje o que a maioria dos professores faz é uma mistura malfeita de uma tendência tradicional com uma conteudista (ou crítico-social dos conteúdos), resultando numa bagunça total. Passa-se o conteúdo e salve-se que puder.

Contudo, alguns profissionais ainda concordam com o que eu disse acima, ou, pelo menos, eles promulgam essas idéias. O que é algo positivo.

 
Desculpe-me, caro amigo. Mas NUNCA houve  uso de palmatória nas escolas durante o governo militar. Pergunte a qualquer pessoa com mais de 45 anos. O uso de palmatória foi anterior ao final década de 50.  Se você acredita que realmente só foi abolido o uso da palmatória no ano de 1990, então pergunte a alguém com mais de 30 anos. Palmatória é coisa da década de 40.

O uso da palmatória criminalizado na década de 80, e abolido com a elaboração do Estatudo da Criança e do Adolescente, em 1990.

Conheço uma pessoa de 38 anos que presenciou colegas na escola apanhando de palmatória na década de 70.

E a Educação de hoje, tanto Pública quanto Privada, tende para o que?

Você havia dito : “O que se esperava da educação, na maior parte do tempo da ditadura, era uma formação que tendia para o técnico, para o trabalho.”
E eu pergunto: A educação administrada agora tende para o que? Não seria para a mesma coisa?

Eu fico muito confuso com tudo isso...  Fazem 22 anos que o militarismo acabou e, qual é o “lema” de hoje no Ensino?  QUAL é o objetivo do estudante hoje? Não é voltado para o TRABALHO?


A educação tende, sim para o trabalho. Mas não só isso. Perceba os detalhes da LDB nº 9394/96, abaixo transcrita:

“TÍTULO I

Da Educação
       Art. 1º. A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida
familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos
movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. 
      § 1º. Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por
meio do ensino, em instituições próprias.
      § 2º. A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do trabalho e à prática social.
 
TÍTULO II

Dos Princípios e Fins da Educação Nacional 

       Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. 
       Art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 

       I -  igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; 
       II -  liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte  e o saber; 
       III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
        IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância;
       V - coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; 
       VI - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
       VII - valorização do p rofissional da educação escolar;
       VIII - gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; 
       IX - garantia de padrão de qualidade;
       X - valorização da experiência extra-escolar;
       XI - vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.”

Analise.

Por favor, faça sua tréplica a partir da sua definição de “crítica” e “cultura”. Não creio que minha definição sobre tais temas seja muito diferente da sua.

Cultura é um termo que tem vários significados.

1. Pode indicar valores relacionados aos à etnia e costumes de um povo, meramente identificando-o.
2. Pode significar arte, e os elementos relacionados a ela.
3. Pode significar letramento, intelectualidade, como quando simplesmente nos referimos a indivíduos “cultos”.

Seu conceito é algum destes ou outro?

Como eu disse, não há crítica que se aproveite de quem não tem ou tem pouca cultura.  Para a escola formar “indivíduos políticos” basta ela cumprir seu papel de educar SATISFATORIAMENTE. A “critica”, como eu te disse, vem das OPINIÕES das pessoas, e é imprescindível que estas tenham um bom nível cultural, para que possam ter opiniões, no mínimo, sensatas.

O termo opinião sempre me remete à “doxo” grega...


Bem, afirmar que os estudantes da Educação brasileira são muito fracos e despreparados para a Filosofia, não significa afirmar que eles não fazem por merece-la!!  Eles merecem! E como merecem!! Simplesmente NÃO FORAM preparados pelos órgãos competentes, ou seja; a Escola.


Vou repetir a transcrição da LDB:

“Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado (…)”

Acrescento a educação não-formal feita pela mídia.

Já viu o slogan do governo? “Todos pela Educação”? Ironicamente correto...

E o que se sugere em contra-partida? Administrar Filosofia a quem não lê com desenvoltura? Ensinar Filosofia a quem não sabe fazer contas? Ensinar Filosofia a quem não sabe apontar o seu país no mapa?

Pelo que deu pra entender o autor do texto acredita que a Filosofia deveria ser MAIS UMA das matérias que os alunos “comuns” NÃO estão aprendendo.  Se fosse só acrescentar disciplinas e ver com isso  melhorado o ensino, então deveríamos colocar também outras matérias aos estudantes do Ensino Médio, como;  Nanociências,  Ciência da Computação, até mesmo a própria Medicina ou a Psicologia... Não é mesmo?   Só que fica a pergunta: Qual seria o resultado disto?  Uma vez que é constatado oficialmente o baixíssimo nível dos estudantes em disciplinas básicas para o perfeito entendimento das demais.

(…) Agora, filosofar  não se ensina, o que se ensina é a história da Filosofia e os conceitos filosóficos mais propagados ou relevantes. (…).

Kant discordaria (kkk).

Agora, sem graças, proponho que a educação filosófica não se atenha apenas ao conteúdo. Na verdade, o conteúdo é até secundário no caso da filosofia, pelo menos a nível de ensino básico. O grande papel da filosofia neste nível de ensino é justamente o ensino da prática de filosofar. E o que é filosofar? É simplesmente criticar. Ou, em termos mais bonitinhos, “pensar de forma crítica, profunda e comprometida com a verdade”.

É certo que alguns professores de filosofia ainda pensam que são professores de história tradicionais, mostrando apenas fatos, ou, “como os filósofos pensaram e/ou pensam”. No entanto, defendo uma Filosofia no Ensino Médio que seja Filosofia também na práxis pedagógica. Trata-se de aprender a pensar observando como pensam os que pensam, copiando-lhes a atitude.

Como vê, não se trata apenas na inclusão de “mais uma disciplina”. Mas de outras perspectivas para a educação.

Na verdade, o certo que todas as disciplinas devem estar voltadas para o desenvolvimento da crítica, mas a Filosofia, por excelência, é aquela que estuda o próprio ato de pensar.

A própria LDB, inclusive, está permeada de “requerimentos” que tangem à Filosofia, mas de forma interdisciplinar (apenas multidisciplinar, antes da última alteração na lei), como domínio de alguns conceitos éticos e científicos, por exemplo.

Coisa MUITO rara era um professor faltar à aula... E hoje, é raro?

O tema é a ineficiência do funcionalismo público em geral, mas analisemos, dentro do possível, apenas o caso do professor, mas já de início, sem considerar todos os pormenores de infra-estrutura, remuneração e desvalorização social-moral pelo que passam os professores no Brasil.

O texto da LDB diz que a educação é dever do estado e da família. Acrescento sempre que, na verdade, numa ética verdadeira, ela é dever de toda a sociedade.

Todos somos educadores. O educando não aprende apenas na escola, mas aprende em sua vida. No entanto, quem está preocupado em educar? “Pra isso”, dizem, “existe os professores”. As esferas da sociedade comprometidas com o lucro de suas atividades (inclusive as escolas particulares), principalmente não conseguem, de forma alguma, trabalhar em favor da educação. Torna-se até ilógico, em alguns casos. “Por que manter um aluno inadimplente em minha escola? Somos uma empresa, o lucro é o mais importante”, dizem os donos de escolas. “Façam dos professores estrelas”, bradam, “Professores, façam um show na sala de aula! E encham de informação inócua este povo ignorante! Pouco importa que no futuro se tornem médicos e advogados imbecis! Temos o nosso lucro!”. E este discurso até se repete nas faculdades, formando, efetivamente, vários profissionais competentes e imbecis. Neste palco, a educação privada se sobressai como a que mais consegue repassar informação aos alunos.

Mas a questão é que, quando se faz uma crítica à educação pública, o que primeiro se critica são os professores e o estado. Os primeiros por não estarem “fazendo o seu trabalho”, o segundo por “não administrar e investir mais na educação”. Não se fala de uma realidade bruta: a família e o próprio aluno não estão fazendo a sua parte. Por pior que seja o professor, por pior que seja a escola, uma pessoa comprometida com sua educação vai fazer o possível para se tornar “educada”.  Nem que leve a vida toda.

E o fato da família e do próprio aluno não se comprometerem não respeita apenas à escola, muito menos apenas aos professores. É certo que o professor pode estimular o aluno a estudar. Mas, como eu já disse, a sociedade de consumo trabalha no sentido contrário. Ela deseduca. Isso, fora algumas ideologias, que fazem as pessoas acreditarem que, como os emergentes, não precisam estudar, basta investirem no trabalho, na loteria ou nos Big Brothers da vida para se tornarem ricos e poderosos, propagando a idéia do conformismo. E a idéia de que basta dinheiro para se viver bem.

O fato é que, hoje, as pessoas simplesmente não têm interesse em estudar (não que isso seja um fator isolado - não sejamos ignorantes...)

Com tudo isso, digo, neste país não precisamos de profissionais competentes mais do que precisamos de pessoas críticas. E urgentemente. Muitos educadores já perceberam isso, e pela voz desses educadores, reafirmo, a educação não deve tender apenas para o trabalho.

Abs.
"A noite encobria a natureza e suas leis. Deus disse: FAÇA-SE NEWTON! E tudo foi luz..." - Alexander Pope

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #12 on: January 17, 2009, 01:37:21 pm »
O que estamos tratando, caro amigo, é de uma diferença didática e metodológica, não de conteúdo. O método Paulo Freire, por exemplo, voltado para a educação de jovens e adultos, teve sua implantação impedida pela ditadura, e o educador, inadvertidamente, foi preso por 70 dias logo após o golpe de 64.
Sem qualquer demérito ao ilustre, honrado e bem intencionado Paulo Freire, mas é com o seu método de ensino que o funcionalismo público educacional está se esbaldando.  Ganha dinheiro sem qualquer compromisso com os resultados de seu trabalho!  Os professores que vão às aulas apenas o fazem para cumprir a sua obrigação de comparecer.  Eu não acredito nos resultados dessa diferença didática e metodológica. E não é sem motivo, pois, volto a afirmar: A nota média dos estudantes do Ensino Médio Público é 3 !! E parece que isto não têm importância pra você, pois até agora, de sua parte, este aspecto não foi considerado.

Não questiono o método... Ele pode até ser bom, mas quando se está mesmo a fim de ensinar. Pois ensinar dá trabalho... E é preciso ter vontade de trabalhar...

Os estudantes, por sua vez, são jovens, e os jovens têm naturalmente uma mente dispersa, desmotivada para as tarefas do estudo. São raros os jovens que dizem: “adoro estudar”. Mas nem por isso eles devem ser deixados para trás, como está acontecendo com o nosso deficiente e sindicalizado Ensino Público. Neste sentido, entendo que a rigidez no Ensino à época dos militares era benéfica.


O uso da palmatória criminalizado na década de 80, e abolido com a elaboração do Estatudo da Criança e do Adolescente, em 1990.
Então, a palmatória foi usada durante algum tempo, MESMO CONTRA A LEI? Mesmo sendo crime? Que estranha esta afirmação!


Conheço uma pessoa de 38 anos que presenciou colegas na escola apanhando de palmatória na década de 70.
Presenciou colegas apanhando de palmatória? Então foi mais de uma vez!!  Mas, que coisa mais estranha!! Eu estudei durante TODO o período do regime militar e NUNCA  vi nem ouvi falar de alunos de minha época, tanto em minha escola como nas outras, que tivessem apanhado e tampouco sido ameaçados com palmatória ou qualquer outro tipo de agressão física!! Alias, eu já passo dos 46 e NUNCA vi uma palmatória ao vivo e a cores na minha frente... Só em fotos antigas... E olha que não foi por falta de motivo! Eu sempre fui um “aluno problema”, sofri advertências que poderiam ter me levado à expulsão do sistema público de ensino, e mesmo assim, nunca ouvi falar em palmatória.
Te aconselho a não acreditar piamente nesta pessoa de 38 anos que “viu” colegas apanhando de palmatória na sala de aula, na década de 70 e, perguntar a outras pessoas.


Cultura é um termo que tem vários significados.

1. Pode indicar valores relacionados aos à etnia e costumes de um povo, meramente identificando-o.
2. Pode significar arte, e os elementos relacionados a ela.
3. Pode significar letramento, intelectualidade, como quando simplesmente nos referimos a indivíduos “cultos”.

Seu conceito é algum destes ou outro?
Bem, eu não pedi para você definir “cultura”. Eu pedi para você fazer a sua tréplica A PARTIR de sua definição de “cultura”, pois a minha não poderia ser tão diferente da sua...  Mas de qualquer forma as suas definições, como eu previ, estão alinhadas com as minhas.
E como estamos falando aqui de ESCOLA, então você pode tomar a sua terceira acepção da palavra “cultura”, ela é a acepção correta para este caso.   ;D


O tema é a ineficiência do funcionalismo público em geral, mas analisemos, dentro do possível, apenas o caso do professor, mas já de início, sem considerar todos os pormenores de infra-estrutura, remuneração e desvalorização social-moral pelo que passam os professores no Brasil.
Veja, há todo um conceito mascarado, maquiado, fomentado, sei lá, sobre os professores da Rede Pública. Obviamente todos aqui concordarão que um professor deve ser muito bem remunerado. Assim como um bombeiro deve ser muito bem remunerado, não é mesmo? Acho que quanto a isso não há dúvidas... No entanto, o salário de um bombeiro é aproximado ao de um professor, com algumas diferenças: O bombeiro cumpre uma jornada de trabalho muito mais longa, e o professor, por ter uma jornada reduzida à metade da jornada de um bombeiro, pode acumular duas jornadas sem maiores esforços que o bombeiro, o que dobra os seus rendimentos. Um bombeiro, além de se submeter à rigidez militar e aos desgastantes exercício físicos diários, ainda arrisca a sua vida para salvar as nossas. No entanto não se vê ninguém falando que bombeiro ganha mal.

Um professor da Rede Pública goza de estabilidade permanente de emprego, goza de uma tolerância no número de faltas sem justificativa, sem desconto nos seus vencimentos, goza de auxílio à alimentação e outros tantos benefícios do funcionalismo público conseguidos através de greves e pressões políticas e eleitorais.  Já o professor da Rede Privada é um empregado comum: Pode ser demitido a qualquer momento, e o valor do seu salário depende da escola que o emprega, respeitando-se evidentemente o piso salarial da categoria.

O salário de um professor da Rede Pública, equivale ao salário de um professor das boas escolas da Rede Privada.  Os diversos benefícios do funcionalismo público, acabam implicando para o primeiro, sem dúvidas, um rendimento maior que o rendimento do segundo.   


O texto da LDB diz que a educação é dever do estado e da família.
É...  E nos ônibus (que mais parecem carroças) está escrito que o transporte é um direito do cidadão e um dever do Estado...

Palavras, palavras, palavras...


(...) proponho que a educação filosófica não se atenha apenas ao conteúdo. Na verdade, o conteúdo é até secundário no caso da filosofia, pelo menos a nível de ensino básico. O grande papel da filosofia neste nível de ensino é justamente o ensino da prática de filosofar. E o que é filosofar? É simplesmente criticar. Ou, em termos mais bonitinhos, “pensar de forma crítica, profunda e comprometida com a verdade”.
O que seria “a verdade”?  Eu respondo: Se o seu professor for um esquerdista convicto, sua verdade terá fundamentos marxistas, se o seu professor for capitalista, aí terá fundamentos talvez keynesianos, se o professor for católico fervoroso, a sua verdade terá elementos religiosos, e se for ateu inveterado, aí a sua verdade será ateísta.


É certo que alguns professores de filosofia ainda pensam que são professores de história tradicionais, mostrando apenas fatos, ou, “como os filósofos pensaram e/ou pensam”. No entanto, defendo uma Filosofia no Ensino Médio que seja Filosofia também na práxis pedagógica. Trata-se de aprender a pensar observando como pensam os que pensam, copiando-lhes a atitude.
A quem deveríamos copiar? Maquiavel ou S. Tomás de Aquino? Nietzsche ou Kierkegaard?  Adam Smith ou Marx?  Marilena Chauí ou Olavo de Carvalho?

Entendeu agora porque filosofar não se ensina?

Isto também lhe remete à “doxo” grega?


Abraços


« Last Edit: January 18, 2009, 09:13:00 pm by Brasil »

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #13 on: January 17, 2009, 01:57:07 pm »
Prezados,

Tenho minimamente acompanhado as discussões desse tópico e entendo que esse constitui um importante espaço para discussão no sentido de identificarmos alguns aspectos dissonantes entre as ações do Estado ou das “empresas” em relação às determinações constitucionais, bem como da LDB, no que tange a educação e/ou ensino formal, conforme determinações destacadas pelo nobre “jota erre”.

Compartilho de algumas de suas colocações com relação à inserção da Filosofia como disciplina a ser ensinada em âmbito escolar, mesmo considerando as condições históricas de construção de um ensino formal no Brasil, na perspectiva do despertar da criticidade nos sujeitos sociais e históricos.

Nesse sentido, evidentemente não podemos pensar a educação institucional brasileira dissociada dos aspectos político-econômicos, os quais foram moldando o direcionamento classista para produção e reprodução material seguindo o ideário de uma classe dominante, a burguesia, que no Brasil, ao contrário da Europa e Estados Unidos, não constituiu ou constitui uma classe revolucionária. Por aqui, as metamorfoses no modo de produção, inclusive as diversas mutações do modo de produção capitalista, sempre transitaram entre moderno e o arcaico, determinando, com isso, os rumos sociais.

Nesse contexto, acessos e restrições aos produtos do trabalho coletivo e das dimensões superestruturais, como é o caso da educação, que são erguidas a partir da realidade concreta, foram sendo delineados à medida que os antagonismos de classe foram cada vez mais se aprofundando.

O que me chamou a atenção no texto do nobre amigo, muito bem articulado e rico em conteúdo por sinal, é o seguinte:

Quote
Mas a questão é que, quando se faz uma crítica à educação pública, o que primeiro se critica são os professores e o estado. Os primeiros por não estarem “fazendo o seu trabalho”, o segundo por “não administrar e investir mais na educação”. Não se fala de uma realidade bruta: a família e o próprio aluno não estão fazendo a sua parte. Por pior que seja o professor, por pior que seja a escola, uma pessoa comprometida com sua educação vai fazer o possível para se tornar “educada”.  Nem que leve a vida toda.

E o fato da família e do próprio aluno não se comprometerem não respeita apenas à escola, muito menos apenas aos professores. É certo que o professor pode estimular o aluno a estudar. Mas, como eu já disse, a sociedade de consumo trabalha no sentido contrário
.

Essa fala me causa certa preocupação a medida que se responsabiliza os indivíduos, os sujeitos, por um processo que é infinitamente mais complexo. Nesse caso, cabe indagar: por que as famílias não cumprem seu papel? Por que os alunos não respeitam os professores ou as instituições? Por que se mostram desinteressados?

É evidente que não temos espaço ou mesmo a presunção de esgotar tão ampla temática, mas vale salientar que diante da ausência do Estado, ou com a minimização das políticas públicas, as diversas dimensões da vida social, passam a sofrer fortes influências das regras mercadológias, o que determinam a dimensão político-ideológica e cultural dos sujeitos.

Aqui não dotamos nossa fala de qualquer determinismo, pelo contrário, é no fluxo da histórica que homens reais em condições reais construirão novas possibilidades. Mas nesse momento histórico, quando o trabalho é cada vez mais coletivo e a apropriação das riquezas ainda mais privada cabe destacar alguns aspectos da lógica destrutiva do capital.

Detendo-nos a questão das famílias, vamos refletir em relação ao segmento majoritário da sociedade que convivem em um cotidiano atribulado, com acessos restritos, permeado de violência, miséria, desemprego, vivendo em condições sub-humanas, realidade essa oriunda da ausência estatal, de um Estado historicamente favorecedor aos grandes capitalistas, ao mercado internacional, trazendo de forma fragmentada, insuficiente e política-eleitoreira, programas de distribuição de renda, que não atingem nem mesmo aos mínimos sociais, não obstante, contribuem para o controle social. Não trata-se de um discurso planfetário, mas, quais as perspectivas que se descortinam no amanhã próximo dessas famílias, dessas crianças e adolescentes?

Quando você fala de realidade bruta, como foi apresentada, trata-se de um fenômeno, ou, em uma relação de causalidade, os efeitos da minimização estatal e prevalência das regras de mercado nas mais diversas dimensões da vida em sociedade no modo de produção capitalista.

Em outro momento, quando coloca que a sociedade trabalha no sentido contrário, o que é a sociedade se não um conjunto de indivíduos que estabelecem e contraem relações sociais, e ainda, criam e recriam normas de conduta para convivência em harmonia (se é que podemos considerar assim), ou que garantam, no mínimo, a sociabilidade humana.

Nessa conjuntura, o Estado constitui uma colossal superestrutura que determina os rumos sociais, erguido a partir de uma realidade concreta, como as instituições de maneira geral.
 Dessa forma, é a sociedade que caminha em sentido contrário ou as instituições responsáveis pelos rumos sociais não estabelecem meios para atingir as necessidades de seguimentos majoritários da população?

Diante dessa realidade, no que concerne a educação, ela cumpre um papel social nas funções econômicas e transmissão ideológica.

Cabe reforçar que, com o neoliberalismo, a educação passa a ser deslocada para o campo da iniciativa lucrativa, o que impulsiona a proliferação das mazelas sociais, pois, passa a ser tratada como mercadoria.

A educação como mercadoria não desperta a criticidade no indivíduo, não o apreende como um “ser inteiro” em sua totalidade, mas sim, de forma fragmentada, pois indivíduos que não contestam estão mais sujeitosao adestramento mercantil de uma sociedade de consumo.

Portanto, a crítica primeira deve ser direcionada sim ao Estado e seus representantes, pois, não foram estabelecido os seguinte princípios constitucionais, inclusive em cláusula pétria naConstituição Federal

CAPÍTULO II
DOS DIREITOS SOCIAIS

Art. 6o São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição

IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim

CAPÍTULO III
DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA E DO DESPORTO
Seção I
DA EDUCAÇÃO

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; (Como pensar em igualdade de condições se as bases reais de produção e reprodução humana guardam tamanhas disparidades entre as classes sociais!?)

IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade; (Quantas mães/ pais não podem trabalhar pois, não existem creches suficientes para atender toda a demanda, assim, a responsabilidade é de quem?)

VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. (É universal? Vamos pensar no norte e nordeste brasileiro).

Por fim, é evidente que o Estado atendendo aos ideários do capitalismo não deseja formar cidadãos críticos, apenas cidadãos de circunstâncias.

att
« Last Edit: January 17, 2009, 02:39:36 pm by Oliveira, D. »

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #14 on: January 17, 2009, 03:59:50 pm »
(...)o que é a sociedade se não um conjunto de indivíduos que estabelecem e contraem relações sociais, e ainda, criam e recriam normas de conduta para convivência em harmonia (se é que podemos considerar assim), ou que garantam, no mínimo, a sociabilidade humana.

Nessa conjuntura, o Estado constitui uma colossal superestrutura que determina os rumos sociais, erguido a partir de uma realidade concreta, como as instituições de maneira geral.
 Dessa forma, é a sociedade que caminha em sentido contrário ou as instituições responsáveis pelos rumos sociais não estabelecem meios para atingir as necessidades de seguimentos majoritários da população?
Gostei dessa sua observação e gostaria de acrescentar algo: No filme Zeitgeist Addendum há a seguinte afirmação; “Se houver um problema na sociedade e a sua solução não implicar lucro a alguém, nada será feito.”

Eu penso que isto é muito profundo e ultrapassa as antigas e as atuais teorias  sociais.  Tanto as voltadas para o Capitalismo quanto as voltadas para o Comunismo.



Art. 6o - São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição

IV - salário mínimo , fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim
hahahaha, os brasileiros fazem parecer piada até a constituição de suas leis.  Eu pensei que esta fosse a Constituição da Dinamarca...  :D


(...)é evidente que o Estado atendendo aos ideários do capitalismo não deseja formar cidadãos críticos, apenas cidadãos de circunstâncias.
Bem, eu fico tentado a perguntar se os cidadãos num regime comunista também não estariam sendo formados apenas como cidadãos circunstanciais...  O Comunismo regula o dinheiro da população, mas não abole o dinheiro. Como sempre, estaremos presos a uma lógica das circunstâncias!  E elas não são diferentes em sua essência. As duas são baseadas e dependentes de sistemas monetários.





« Last Edit: January 18, 2009, 02:17:05 am by Brasil »

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #15 on: January 17, 2009, 06:58:10 pm »
Amigo Brasil,

Não entendo porque você diz que o funcionalismo público está se “esbaldando” como método Paulo Freire, haja vista que, na verdade, é um método voltado para o EJA e, mesmo que algumas vertentes a tenham adaptado, trata-se de casos isolados. Por exemplo, algumas escolas usam como Plano Político Pedagógico (PPP) a Educação Via Tema Gerador (educação através do conhecimento prévio do aluno), algo que faz parte do método original de Paulo Freire. Outras, por sua vez, trabalham como a Pedagogia de Projetos, e por aí vai. Mas os métodos são inúmeros, e o PPP das escolas, individualmente (mas seguindo uma linha regional), vai orientar isto.

No link, um quadro síntese de tendências pedagógicas:

http://members.tripod.com/pedagogia/quadro_tendencias.htm

A média 3 à qual você se refere diz respeito ao IDEB?

Em primeiro lugar, confesso aqui uma profunda insatisfação com os índices estatísticos. Eu sinceramente não confio na estatística. Acredito que quem trabalha nessa área são profissionais sérios, mas esse estudo busca fazer generalizações às vezes até impróprias, como no caso das eleições.

Ao final, nunca será provado que os indivíduos que não fizeram parte da pesquisa correspondem aos dados finais apresentados. Trata-se somente de uma especulação, a menos que se queira usar o velho e criticado método indutivo, que a Ciência Moderna já superou formulando o método hipotético-dedutivo, ou seja, partindo de uma hipótese já formulada, e fazendo experimentos apenas para tentar falseá-la.

Os estatísticos, na verdade, compreenderam esta evolução científica, mas regrediram: eles usam os dados para tentar validar a sua hipótese, e não falseá-la, pois que dará mais trabalho fazer a pesquisa de novo, e os prazos expiram, etc, etc. Nesse sentido, estão mais próximos de um método indutivo do que dedutivo, e, como ensinava Popper, o método indutivo pode estar mais próximo de um senso comum do que da ciência.

Em segundo lugar, verifiquemos, como se levanta o IDEB? Trata-se de um cálculo baseado na Prova Brasil e similares e nos dados sobre aprovação escolar.

Hoje, as escolas fazem uma política de aprovação em massa custe o que custar. Até porque os antigos métodos de reprovação foram praticamente abolidos, não somente pela verificação de sua ineficiência, mas, depois de 2007, foi verificada uma necessidade de mais aprovações, dado as metas do governo.

Na esfera privada, os alunos são preparados exclusivamente para fazer provas. Vestibular e afins. Somente isso. Basta copiar a estratégia de aprovação da esfera pública e… voilá, temos um índice de 5,6.

Ter alunos preparados para provas não significa necessariamente uma educação de qualidade. Significa, simplesmente, que temos alunos preparados para provas.

O que vende vagas, na esfera privada, são as aprovações. Que pais irão gastar uma fortuna nas escolas “apenas” para tornar seus filhos pessoas críticas? É melhor que eles sejam estúpidos bem sucedidos do que críticos pobres. “Os valores”, dizem, “ensinamos em casa”. Mas não ensinam! A escola acaba com a responsabilidade total pela educação do indivíduo, o que se torna desastroso, porque ela não tem capacidade de arcar com essa responsabilidade.

Compararmos as esferas pública e privada a partir do IDEB redunda, portanto, em conclusões errôneas. Considerando uma postura neoliberal do governo, talvez seja até interessante dizer que a escola particular é “melhor” que a pública...

O fato é que a educação no país é ruim, como um todo. Não porque os índices são baixos, mas porque as pessoas estão cada vez mais estúpidas e ignorantes.

Dizer que a educação era “melhor” com os militares é um ponto de vista relativo. Melhor para quê? O tecnicismo dos militares deixava bem marcada a diferença social. Quem precisava de um emprego “rápido”, iria estudar nas escolas técnicas. Quem não precisava tanto, podia cursar um curso superior. Hoje, o mercado de trabalho está mais voltado para o ensino superior do que o técnico. Por isso, a banalização da educação superior. Entram na mídia discussões sobre acesso, cotas, etc. Por isso, repito, se o fim da educação era APENAS o mercado de trabalho, talvez a situação realmente fosse melhor — digo isto não por ter consultado dados, mas apenas baseado em seu discurso.

Porém, se todos os indivíduos do país tivessem bons empregos, este país não seria necessariamente melhor. Continuo dizendo, de que adianta na sociedade juízes inteligentíssimos que dão liberdade a criminosos políticos?

Um dos principais males da sociedade brasileira é a corrupção. Não de políticos, porque eles nem sempre foram parlamentares. Antes, eram sociólogos e metalúrgicos. O problema da corrupção é humano. Trata-se de uma cultura de corrupção. Em que se dá cinco reais ao porteiro para entrar numa repartição dez minutos após o fim do expediente, em que se suborna o fiscal do Detran para não pagar uma multa, etc. E o problema da corrupção é um problema ético; discutível por sinal, justamente na Filosofia.

Por isso a necessidade, hoje, não só de trabalhadores, mas de cidadãos éticos e críticos, que saibam pensar sobre os problemas de sua sociedade, e tenham coragem de agir para minimizá-los.
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A questão da palmatória se envolve mais com a cultura do que com a lei. Pode ser que em sua região ela terminou mais cedo, mas em outras essa cultura foi abolida aos poucos.

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Se sua aplicação do termo “cultura” está mais vinculada à idéia de intelectualidade, então ela está relacionada justamente ao pensamento crítico. Nesse sentido, não consigo lhe entender no trecho abaixo:

“Veja, não é atribuição da escola, formar cidadãos “críticos”, e sim cidadãos CULTOS. Não há como a escola formar cidadãos “críticos”, pois em todos os assuntos há controvérsias e partidarismos diversos. Ela não pode, de forma alguma, impor sua opinião sobre temas políticos contemporâneos! Deve apenas administrar um bom ensino apartidário.  Com uma cultura de bom nível, que presume-se, deveria ser dada pelas escolas, as pessoas teriam mais chances de, aí sim, serem mais críticas.”

Uma vez que a intelectualidade, e, a cultura, está relacionada justamente com a crítica, este trecho parece contradizer-se em si mesmo.

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Quando se fala em remuneração, é necessário levar-se em conta sempre o aspecto regional. Em alguns estados, para ser bombeiro é necessário simplesmente ter o ensino fundamental. E, nesses mesmos casos, o bombeiro ganha até mais que professores formados. Isso porque estou falando de praças. Os oficiais ganham salários bem mais altos que as praças. Em alguns estados, é necessário ter ensino superior para ser oficial, mas outros pedem somente o ensino médio.

Os professores, fora o trabalho na escola, ainda têm que trabalhar em casa, fazer cursos e sempre estudar. Ou seja, na verdade, estes educadores acabam tendo uma carga horária de 24h por dia. Isso fora a desvalorização moral na sociedade, que muitas vezes vê os professores como vilões da educação, enquanto os bombeiros são sempre heróis.

Mas em todo caso, repito, é sempre necessário avaliar a situação levando em conta a localidade. Não se pode comparar o salário de R$3.000,00 de um soldado da PM em Brasília com o de R$950,00 de um professor no Pará.

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Quando cito o texto da lei, estou querendo apontar diretrizes, não fatos. É certo nenhum setor da sociedade faz seu trabalho “direito”, mas todos DEVERIAM fazer. A questão é simplesmente moral.

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Quando falo em verdade, não estou falando sobre o conceito universal de Verdade. Tampouco estou falando da “verdade” de um filósofo. Não se trata de uma verdade previamente estabelecida, mas de uma verdade construída, alcançada. Uma verdade baseada em fatos, não em teorias. Não se trata simplesmente de fazer o aluno copiar o pensamento dos filósofos, pensar como eles. Mas de entendê-los e, a partir deles, construir um pensamento próprio. Trata-se de “forçar” o aluno a pensar. De exigir que ele critique, que tenha opinião (logos). “Forçá-lo” a copiar a atitude de pensar, não um pensamento já pronto. Isto é ensinar a filosofar.

Abs.

« Last Edit: January 17, 2009, 08:34:25 pm by jota erre »
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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #16 on: January 17, 2009, 07:47:21 pm »
Essa fala me causa certa preocupação a medida que se responsabiliza os indivíduos, os sujeitos, por um processo que é infinitamente mais complexo. Nesse caso, cabe indagar: por que as famílias não cumprem seu papel? Por que os alunos não respeitam os professores ou as instituições? Por que se mostram desinteressados?

Caro Oliveira,

Ver as coisas pelo prisma que apresentei apenas é uma forma de salientar uma das coisas que normalmente nunca se leva em consideração nas discussões sobre educação: a liberdade individual. Se eu julgar, de alguma forma, que não preciso estudar, que não quero estudar, por algum motivo plausível, ou porque simplesmente não quero, que professor fará o milagre de mudar minha opinião? Que políticas públicas farão com que eu deseje estudar? E se eu simplesmente adotar esta “filosofia de vida”?

Nossa cultura não aceita isso, mas pode ocorrer. E, se ocorrer, como fazer uma educação ética sem respeitar a liberdade do indivíduo? É uma limitação teórica. Mas que existe. Da mesma maneira que dedicar-se aos estudos é uma decisão, não fazê-lo também pode ser uma decisão. Como Sartre já dizia, estamos fadados à liberdade.


É evidente que não temos espaço ou mesmo a presunção de esgotar tão ampla temática, mas vale salientar que diante da ausência do Estado, ou com a minimização das políticas públicas, as diversas dimensões da vida social, passam a sofrer fortes influências das regras mercadológias, o que determinam a dimensão político-ideológica e cultural dos sujeitos.

É certo que existem inúmeros fatores que permeiam a tema “educação no Brasil”. E não pense que, apenas por não os citarmos aqui, os estamos desconsiderando. Na verdade, sua explanação preencheu muito bem esta lacuna.

Em outro momento, quando coloca que a sociedade trabalha no sentido contrário, o que é a sociedade se não um conjunto de indivíduos que estabelecem e contraem relações sociais, e ainda, criam e recriam normas de conduta para convivência em harmonia (se é que podemos considerar assim), ou que garantam, no mínimo, a sociabilidade humana.
(…)
Nessa conjuntura, o Estado constitui uma colossal superestrutura que determina os rumos sociais, erguido a partir de uma realidade concreta, como as instituições de maneira geral.
Dessa forma, é a sociedade que caminha em sentido contrário ou as instituições responsáveis pelos rumos sociais não estabelecem meios para atingir as necessidades de seguimentos majoritários da população?

Quando falo em sociedade, erroneamente tenho excluído o Estado. Na verdade, o conceito o engloba. Como você explanou, o papel do estado é sim, decisivo na educação.  Nesse sentido, acredito que as duas alternativas apresentadas estão corretas. O correto é que até agora não frisei um crítica ao estado por tentar apresentar justamente o “outro lado”. Isto é, sabemos que ele não cumpre sua parte, mas e o resto?

Diante dessa realidade, no que concerne a educação, ela cumpre um papel social nas funções econômicas e transmissão ideológica.

Por fim, é evidente que o Estado atendendo aos ideários do capitalismo não deseja formar cidadãos críticos, apenas cidadãos de circunstâncias.

Se a escola é um aparelho ideológico, isto apenas pode se traduzir nos aspectos mais gerais da educação. Nas leis, nas diretrizes nacionais, nos planos nacionais e, por fim, nas políticas regionais que determinam os rumos do ensino.

No entanto, é necessária uma discussão a respeito do papel do intelectual na sociedade. Ao professor cabe simplesmente seguir as diretrizes do governo? Não que ele tenha de ser subversivo ou reacionário, mas ele não pode propiciar aos alunos mais que uma visão ideológica promulgada pelo Estado? Toda crítica deve ser universal. Deve incidir até sobre si mesma. E o que cabe ao professor é justamente fomentar esta crítica. Que ela incida sobre a sociedade como um todo. Ao governo, à escola e até mesmo ao pensamento do próprio professor — é certo inclusive, e a fala é de Luckesi, que o próprio educador jamais conseguirá fugir de suas convicções políticas em sua prática pedagógica. A neutralidade é um mito. Mas ele pode minimizar sua influência justamente instigando o educando àquela crítica universal.


Abs.
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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #17 on: January 17, 2009, 10:46:13 pm »
Não entendo porque você diz que o funcionalismo público está se “esbaldando” como método Paulo Freire, haja vista que, na verdade, é um método voltado para o EJA
O EJA nada mais é que a reativação do antigo MOBRAL! Qual é a novidade do método de Paulo Freire? A novidade no método de Paulo Freire é a aprovação automática!! Que foi citada como “uma sacanagem feita para melhorar as estatísticas”, lá no início do debate, pelo Miguel. E eu concordo.


A média 3 à qual você se refere diz respeito ao IDEB?

Em primeiro lugar, confesso aqui uma profunda insatisfação com os índices estatísticos. Eu sinceramente não confio na estatística. Acredito que quem trabalha nessa área são profissionais sérios, mas esse estudo busca fazer generalizações às vezes até impróprias, como no caso das eleições.
Eu sinceramente fico admirado com esta afirmação

O ENEM, Exame Nacional do Ensino Médio é um levantamento anual, custeado pelo Governo Federal e visa avaliar o  nível de aprendizado dos estudantes do Ensino Médio. Ou seja; é o governo fiscalizando seu Ensino. Uma coisa muito importante que se deve salientar é que o exame do ENEM não é obrigatório, ou seja; só vai fazer exame  do ENEM, aquele aluno que ESTÁ INTERESSADO em seu aprendizado e também aquele que pretende ser beneficiado pelo Próuni, pois este exige a aprovação no exame do ENEM para poder conceder suas bolsas.

Eu fico admirado que você não conheça!

A nota média 3 à qual eu me referi foi apurada em alguns Estados. Mas se você olhar na lista dos melhores e dos piores, você verá que o Ensino brasileiro está totalmente comprometido. Não há Estado com média maior que 4,5 na prova objetiva. Isto é um absurdo! Como incorporar outra matéria nestes níveis de aprendizado?
Nota na prova objetiva do Enem cai 19,1%
Na redação, notas subiram 5,5% de 2007 para 2008.
Na média geral, houve queda de 6,3%.



Ao final, nunca será provado que os indivíduos que não fizeram parte da pesquisa correspondem aos dados finais apresentados.
O fato acima relatado por mim, prova que o Exame do ENEM é confiável. Pois “os indivíduos que não fizeram parte da pesquisa” são estudantes que logicamente não estão interessados na avaliação de seu aprendizado e não foram  fazer o exame. Ora!


Trata-se somente de uma especulação, a menos que se queira usar o velho e criticado método indutivo, que a Ciência Moderna já superou formulando o método hipotético-dedutivo, ou seja, partindo de uma hipótese já formulada, e fazendo experimentos apenas para tentar falseá-la.
É...   Assim desse jeito, com o método hipotético-dedutivo fica bem mais fácil  mesmo...  Agora veja que interessante; na página do verbete “enem” da Wikipédia, diz que o exame do ENEM é mais fácil que os demais exames.

Você disse que é somente uma especulação? Bem, se um exame feito de maneira séria  não diz a nota média de aprendizado dos estudantes, então o que diria? Em quais referências devemos nos orientar? Nos exames feitos pelos professores do “mercado”?

Sobre o ENEM
O ENEM é uma prova um pouco diferente dos vestibulares, em geral muito mais fácil, e por isso os alunos tiram notas mais altas. Muitas faculdades e universidades usam a nota do ENEM em seus processos seletivos. Isso tem feito com que cada vez mais alunos participem anualmente da prova. Em 2005 houve quase 3 milhões de participantes.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Exame_Nacional_do_Ensino_M%C3%A9dio#Sobre_o_ENEM

Dados
Para orientar as políticas educacionais o ENEM é um instrumento muito útil. Os dados apontados por essas avaliações têm mostrado, por exemplo, a enorme distância entre o nível do ensino público e o particular. Mesmo numa prova que avalia habilidades e competências, em detrimento da memorização de conteúdos, a diferença de notas entre alunos de um e outro sistema de ensino é muito grande: 62% de diferença nas notas em 2005.
Por padrão o que está em jogo não é a informação que o aluno conseguiu juntar em seu Ensino Médio e sim como ele consegue operacionalizar essa informação para resolver problemas, analisar fatos e se sociabilizar de forma cidadã.
Para isso, a prova do ENEM é baseada em 5 competências, nas quais são distribuídas 21 habilidades, que são especificações dessas competências. O aluno não tem que estudar para o ENEM e sim se preparar para ele. Exercitar estas competências e habilidades é a chave para atingir uma boa porcentagem de nota.



A prova
São 63 questões e uma redação para cinco horas de prova, o que daria aproximadamente três minutos para cada questão e uma hora e meia para a redação. Todas as questões são de múltipla escolha com 5 alternativas. Para evitar fraude, a prova é realizada em 4 versões identificadas por cores (amarela, branca, rosa e azul). O que difere uma prova da outra é a ordem das questões e alternativas. De resto, são as mesmas questões e textos.
Por objetivar avaliar competências e não informações, a prova não é dividida em matérias. Também não é indicada a competência a ser avalidada em cada questão. Portanto, as questões são colocadas em uma seqüência sem qualquer tipo de agrupamento.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Exame_Nacional_do_Ensino_M%C3%A9dio#Dados


Os estatísticos, na verdade, compreenderam esta evolução científica, mas regrediram: eles usam os dados para tentar validar a sua hipótese, e não falseá-la, pois que dará mais trabalho fazer a pesquisa de novo, e os prazos expiram, etc, etc. Nesse sentido, estão mais próximos de um método indutivo do que dedutivo, e, como ensinava Popper, o método indutivo pode estar mais próximo de um senso comum do que da ciência.
É... E o método pragmático acaba sempre “ajeitando as coisas” com teorias improváveis e convenientes às circunstâncias.

Para comprovar a ineficiência do Ensino Público apontado pelo ENEM, eu sugiro que faça uma pesquisa no google com os seguintes termos : "Pérolas do ENEM". Você terá um mar de exemplos hilariantes. Infelizmente é tragicômico.


Hoje, as escolas fazem uma política de aprovação em massa custe o que custar. Até porque os antigos métodos de reprovação foram praticamente abolidos, não somente pela verificação de sua ineficiência, mas, depois de 2007, foi verificada uma necessidade de mais aprovações, dado as metas do governo.
Pois é, e é nesse sentido que o método de Paulo Freire está sendo usado para atingir objetivos políticos e eleitorais e não se encontra atualmente comprometido com o verdadeiro propósito e fundamento do Ensino; Tornar indivíduos CULTOS para que possam ser críticos.


“Veja, não é atribuição da escola, formar cidadãos “críticos”, e sim cidadãos CULTOS. Não há como a escola formar cidadãos “críticos”, pois em todos os assuntos há controvérsias e partidarismos diversos. Ela não pode, de forma alguma, impor sua opinião sobre temas políticos contemporâneos! Deve apenas administrar um bom ensino apartidário.  Com uma cultura de bom nível, que presume-se, deveria ser dada pelas escolas, as pessoas teriam mais chances de, aí sim, serem mais críticas.”

Uma vez que a intelectualidade, e, a cultura, está relacionada justamente com a crítica, este trecho parece contradizer-se em si mesmo.
Pois eu não vejo por que! Se a intelectualidade e a cultura, estão relacionadas à capacidade de crítica,  então eu acho que não é pedir muito que as escolas ENSINEM SATISFATORIAMENTE ao menos o BÁSICO, com IMPARCIALIDADE !
Para que com isso, as pessoas possam fazer críticas mais sensatas, mais isentas de condicionamentos diversos e se possível, mais fundamentadas. Agora, sem saber fazer contas, sem saber apontar o seu país no mapa e sem compreender um texto curto, como é que o cidadão vai ser crítico? Quanto menos um crítico com visão filosófica...
Acho que isso é esperar milagres...

Como eu coloquei no início; os assuntos filosóficos têm diversos ângulos de percepção, e não é atribuição da escola apontar qual é o mais acertado! Para não incorrer neste erro grave ela ( a Escola)  deve somente instruir o estudante quanto aos diferentes pensamentos filosóficos. Não se ensina a pensar!! Se estimula!! E pra isso deve-se ser imparcial e apartidário. 


Os professores, fora o trabalho na escola, ainda têm que trabalhar em casa, fazer cursos e sempre estudar. Ou seja, na verdade, estes educadores acabam tendo uma carga horária de 24h por dia.
24 hs por dia? Será que você não está exagerando?  ;D


Quando falo em verdade, sobre o conceito de Verdade. Tampouco estou falando da “verdade” de um filósofo. Não se trata de uma verdade previamente estabelecida, mas de uma verdade construída, alcançada.
Uma verdade construída e alcançada pelo professor que estiver ensinando!! Pois há vários ângulos de entendimentos e ele colocará o dele. Se não é uma verdade previamente estabelecida então ela seria uma verdade circunstancial e/ou partidária.


Não se trata simplesmente de fazer o aluno copiar o pensamento dos filósofos, pensar como eles. Mas de entendê-los e, a partir deles, construir um pensamento próprio.
Construir um pensamento próprio a partir dos filósofos é algo interessante,  e bonito de se dizer, mas você não me respondeu como um semi-analfabeto vai entender os conceitos filosóficos. Você acha realmente possível que um semi-analfabeto leia e entenda algum filósofo?   ???


Trata-se de “forçar” o aluno a pensar. De exigir que ele critique, que tenha opinião (logos). “Forçá-lo” a copiar a atitude de pensar, não um pensamento já pronto. Isto é ensinar a filosofar.
Pro Ensino Médio “forçar” estudantes a pensar, a partir de um entendimento comprovadamente precário das materias mais básicas, os diversos e minuciosos conceitos filosóficos, ele ( o Ensino) terá de sugerir SUA OPINIÃO ou vertente filosófica ao aluno, você não acha?


Abs
« Last Edit: January 18, 2009, 01:46:41 am by Brasil »

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #18 on: January 18, 2009, 01:02:12 am »
Olá, Brasil,

Espero que seus pontos de exclamação execessivos não estejam demonstrando um estado de humor ruim.

Quero lhe dizer que conheço sim, o ENEM; por isso perguntei se se tratava do IDEB. Minha critica ao IDEB continua.

No que diz respeito ao ENEM, apenas refaço uma afirmação que fiz anteriormente: ter alunos preparados para provas não significa necessariamente uma educação de qualidade. Significa, simplesmente, que temos alunos preparados para provas.

Não estou falando em educação oficial, mas em educação real.

Provas desse tipo apenas podem medir quem “decorou mais a matéria”, quem teve mais sorte (isto é, recebeu uma prova com assuntos que domina), quem não estava com algum problema as saúde (tipo dor de cabeça) na hora da prova. E afins. O aluno somente pode ser avaliado de verdade dentro de uma sala de aula. E isso se o professor souber trabalhar com o processo de avaliação. Senão, ficamos apenas com o psicologismo dos números. Não sei o que representa um aluno tirar 1 numa prova, ou 0,5, ou 4. São apenas números. Sabe-se lá se as questões foram bem formuladas. Assim, também não acho que ENEM's, concursos públicos e/ou qualquer outro tipo de prova desse tipo possa medir o conhecimento de alguém.

A realidade é que provas discursivas são mais caras de formular e corrigir. Ninguém quer investir nisso. Se um computador avalia as respostas, por que pagar um professor?

Você disse que é somente uma especulação? Bem, se um exame feito de maneira séria  não diz a nota média de aprendizado dos estudantes, então o que diria? Em quais referências devemos nos orientar? Nos exames feitos pelos professores do “mercado”?

O professores talvez sejam os únicos seres capazes de avaliar o conhecimento dos estudantes. Se o fazem ou não, depende das condições em que ele se encontra.

Agora veja que interessante; na página do verbete “enem” da Wikipédia, diz que o exame do ENEM é mais fácil que os demais exames.

No mínimo, eu poderia desconfiar de uma enciclopédia feita por não-se-sabe-quem-não-se-sabe-onde. Mesmo assim, não tenho por quê discordar.

Pois é, e é nesse sentido que o método de Paulo Freire está sendo usado para atingir objetivos políticos e eleitorais e não se encontra atualmente comprometido com o verdadeiro propósito e fundamento do Ensino; Tornar indivíduos CULTOS para que possam ser críticos.

Só um adendo: o método Paulo Freire originalmente está voltado para a educação informal, fora da escola.

 
“Veja, Pois eu não vejo por que! Se a intelectualidade é a cultura, então eu acho que não é pedir muito que as escolas ENSINEM SATISFATORIAMENTE ao menos o BÁSICO, com IMPARCIALIDADE !
Para que com isso, as pessoas possam fazer críticas mais sensatas, mais isentas de condicionamentos diversos e se possível, mais fundamentadas. Agora, sem saber fazer contas, sem saber apontar o seu país no mapa e sem compreender um texto curto, como é que o cidadão vai ser crítico? Quanto menos um crítico com visão filosófica...
Acho que isso é esperar milagres...

Como eu coloquei no início; os assuntos filosóficos têm diversos ângulos de percepção, e não é atribuição da escola apontar qual é o mais acertado! Para não incorrer neste erro grave ela ( a Escola)  deve somente instruir o estudante quanto aos diferentes pensamentos filosóficos. Não se ensina a pensar!! Se estimula!! E pra isso deve-se ser imparcial e apartidário. 

(Sugiro que leia de novo o trecho que apontei como contraditório.)

Freud dizia que duas profissões impossíveis eram a de psicanalista e professor, haja vista que o ser humano não consegue deixar de passar suas convicções em seu discurso. No caso ele se referia mais ao conceito de “pulsão de morte”, mas pense: você conhece alguém que tenha um discurso imparcial (se sua “imparcialidade” quiser dizer “neutralidade”)? Você consegue falar sem defender suas convicções mais íntimas, até mesmo inconscientes? Acredito que não. Mesmo saindo do campo da psicanálise ou da filosofia da educação, devemos considerar (parafraseando Bakhtin), todo discurso é ideológico. As palavras estão carregadas de idéias, elas aprendem com a realidade e adquirem sentidos diferentes em cada uso. O locutor nunca pode ter controle sobre o resultado que suas palavras vão trazer.

Apesar disso, acredito sim, que a profissão de professor é possível. E mais, discordo cabalmente de você. Se ensina a pensar sim! Que o digam os professores de Lógica. Se formos consultar alguns filósofos, veremos que a lógica é a base da Filosofia. Um pensamento contraditório perde todo o seu valor. E um dos papéis da Filosofia é justamente ensinar o aluno a pensar corretamente.


24 hs por dia? Será que você não está exagerando?  ;D

Sim, estou. Mas que é muito trabalho, não podemos negar.

Uma verdade construída e alcançada pelo professor que estiver ensinando!! Pois há vários ângulos de entendimentos e ele colocará o dele. Se não é uma verdade previamente estabelecida então ela seria uma verdade circunstancial e/ou partidária.

Falei sobre isso acima. Mas, se a práxis do educador é assim, o máximo que ele pode fazer é tentar minimizar suas influências, justamente instigando a crítica autônoma.

Construir um pensamento próprio a partir dos filósofos é algo interessante,  e bonito de se dizer, mas você não me respondeu como um semi-analfabeto vai entender os conceitos filosóficos. Você acha realmente possível que um semi-analfabeto leia e entenda algum filósofo?   ???

Já ouviu alguma coisa sobre a Filosofia para Crianças. Mattew Lippman trabalha com Filosofia desde a infância. Muitas crianças também não dominam a leitura e a escrita.

Pro Ensino Médio “forçar” estudantes a pensar, a partir de um entendimento comprovadamente precário das materias mais básicas, os diversos e diferentes conceitos filosóficos, ele (o Ensino) terá de sugerir SUA OPINIÃO ou vertente filosófica ao aluno, você não acha?

Gostaria que você respondesse quais são as matérias mais básicas, isto é, as que devem basear, fundamentar o conhecimento do educando. A Filosofia não está nessa lista?

Sobre o restante, já disse acima.

Abraço.
« Last Edit: January 18, 2009, 01:24:50 am by jota erre »
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Offline Oliveira, D.

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Re: Qual a diferença entre a Escola Pública e a Privada?
« Reply #19 on: January 18, 2009, 02:11:10 am »
Caros companheiros,

Confesso que o debate está se tornando instigante, e, ressalto a importância em discutir idéias, quando o que se almeja é transformar o real. Acredito que esse seja um ponto comum entre nós que freqüentamos espaços para produção de conhecimento.

Gostaria de discutir alguns pontos colocados pelos nobres colegas (Brasil e jota erre) asseverando que a questão da educação trata-se de um tema amplo e complexo, assim, fica praticamente impossível abordarmos todas as dimensões que a envolvem na cotidianidade.

O nobre Brasil em determinado momento considera:

Quote
Bem, eu fico tentado a perguntar se os cidadãos num regime comunista também não estariam sendo formados apenas como cidadãos circunstanciais...  O Comunismo regula o dinheiro da população, mas não aboli o dinheiro. Como sempre, estaremos presos a uma lógica das circunstâncias!  E elas não são diferentes em sua essência. As duas são baseadas e dependentes de sistemas monetários.

Nesse momento é preciso considerar que existe um erro conceitual, interpretativo ou, ao menos, analítico na sempre coerente e bem fundamentada fala do nobre companheiro.

Quando falamos em comunismo, no sentido do comunismo real, faz-se necessário entender que esse supera o primeiro estágio da transformação social sob a égide do proletariado, isto é, o socialismo.

No socialismo sim, as relações burguesas tanto em aspectos infra-estruturais como superestruturais não são suprimidas de imediato, sendo, portanto, necessário o aparato estatal e a produção de mercadorias, ainda que as trocas sejam realizadas com outra conotação.

Na passagem para o comunismo real, aquele pensado por Marx, o dinheiro torna-se desnecessário no sentido que temos na contemporaneidade. Poderá existir enquanto moeda na troca de valores de uso? Talvez sim, mas não como mercadoria, como valor de troca, pois, o processo produtivo seguirá então o sentido dos valores de uso. Lenin em “O Estado e a Revolução” aborda alguns pontos da passagem para o comunismo.

Nesse contexto, os cidadãos deixariam de corresponder a uma função circunstancial no modo de produção e reprodução social, pois, gozariam da real cidadania e liberdade, ao contrário da dimensão preconizada pelo Estado burguês.

Mais uma vez, gostaria de salientar que não trago um discurso planfetário, entretanto, não considero a possibilidade do comunismo totalmente ultrapassada, apesar de não acreditar na viabilidade da luta armada no sentido estrito do marxismo. Talvez estejamos vivendo o momento histórico apontado por Marx, quando as forças produtivas atingiriam tamanho estágio de desenvolvimento que o capitalismo não seria capaz de superar suas próprias contradições, haja vista, a crise financeira atual. Claro que é cedo para apontar qualquer direção, mesmo porque não sabemos qual o tamanho desse problema. Contudo, não vamos fugir ao tema desse tópico.

Com relação à fala a seguir, permita-me realizar algumas considerações:

Quote
Construir um pensamento próprio a partir dos filósofos é algo interessante,  e bonito de se dizer, mas você não me respondeu como um semi-analfabeto vai entender os conceitos filosóficos. Você acha realmente possível que um semi-analfabeto leia e entenda algum filósofo?

Acredito que a filosofia transcenda a questão conceitual, é evidente que um sujeito analfabeto, ou semi-analfabeto que, para realidade brasileira constitui o mesmo elemento enquanto massa de manobra, como nós todos em algum momento de nossas escolhas, terá maior dificuldade, ou mesmo não entenderá a complexidade de determinadas linhas filosóficas.

No entanto, acredito também que a “arte” de filosofar é o despertar para criticidade, para um mundo novo, não alheio a realidade concreta, mas, a partir da materialidade da vida social, porém com olhares em outras direções.

Será que as abordagens de Sócrates para com os sujeitos de sua época seriam restritas somente a intelectualidade? Para quantos analfabetos Jesus (tudo indica que analfabeto) colocou a possibilidade de uma vida mais humana e igualitária dentro de sua dimensão filosófica? Quantos operários foram chamados por Marx a impor a Comuna? Quantos camponeses que não conheciam outras dimensões da realidade social, senão a relação com a terra e com seus afins eclodiram a revolução russa? Quais dos oitenta e sete guerrilheiros que tomaram o poder em Cuba possuíam maiores possibilidades de interpretar conceitos filosóficos nas correntes positivistas, fenomenológicas ou materialistas dialéticas?

Faço esses apontamentos sem qualquer ecletismo, mas somente para ilustrar a questão com momentos reais da história da humanidade.

Outro ponto que gostaria de considerar relaciona-se com o trecho abaixo:

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Como eu coloquei no início; os assuntos filosóficos têm diversos ângulos de percepção, e não é atribuição da escola apontar qual é o mais acertado! Para não incorrer neste erro grave ela ( a Escola)  deve somente instruir o estudante quanto aos diferentes pensamentos filosóficos. Não se ensina a pensar!! Se estimula!! E pra isso deve-se ser imparcial e apartidário.

Concordo parcialmente com essa afirmação. Não acredito na imparcialidade e no apartidarismo enquanto socialização do conhecimento. Compreendo que os educadores devem se posicionar, mas evidenciando qual o modelo de sociedade que vislumbra para gerações futuras, refletindo sobre seu papel enquanto transmissores de conhecimento, colocando alternativas de reflexão em várias vias.

Não trata-se de romantismo, mas é preciso salientar que aquele que não se posiciona politicamente ou, que se apresenta de forma "apolítica" já realiza em si uma política conservadora.
 
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Com uma cultura de bom nível, que presume-se, deveria ser dada pelas escolas, as pessoas teriam mais chances de, aí sim, serem mais críticas

Como definir um bom nível cultural? Citemos um exemplo: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, considerado um homem extremamente culto e realmente o é, fazia parte do “Seminário Marx”, juntamente com Florestan Fernandes e Octávio Ianni, mas quão diferentes são os respectivos pensamentos e posicionamento político.

Quais as características dos oito anos de governo do referido presidente? Qual a dimensão do abismo criado? A quem favoreceu?

Portanto, cultura envolve posicionamento e direcionamento político, para alguns foi um excelente governo, mas, para seguimentos majoritários da população foram anos de penúria.

Cultura de bom nível estaria ligada a um pensamento pequeno-burguês?

No trecho a seguir há um outro ponto interessante a ser discutido, talvez o mais importante.

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No entanto, é necessária uma discussão a respeito do papel do intelectual na sociedade. Ao professor cabe simplesmente seguir as diretrizes do governo? Não que ele tenha de ser subversivo ou reacionário, mas ele não pode propiciar aos alunos mais que uma visão ideológica promulgada pelo Estado? Toda crítica deve ser universal. Deve incidir até sobre si mesma. E o que cabe ao professor é justamente fomentar esta crítica. Que ela incida sobre a sociedade como um todo. Ao governo, à escola e até mesmo ao pensamento do próprio professor — é certo inclusive, e a fala é de Luckesi, que o próprio educador jamais conseguirá fugir de suas convicções políticas em sua prática pedagógica. A neutralidade é um mito. Mas ele pode minimizar sua influência justamente instigando o educando àquela crítica universal.

Supondo o professor como um sujeito em condições de fazer história, dada sua potencial capacidade de transformação, decorrente do acesso as diversas áreas do saber, é dotado minimamente da possibilidade de fazer escolhas, principalmente no que concerne aos aspectos político-pedagógicos e sócio-educativos nos quais está envolvido, inclusive rompendo com as diretrizes curriculares impostas, não em sua totalidade, mas determinados espaços recebem “o acabamento” dos sujeitos.

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dedicar-se aos estudos é uma decisão, não fazê-lo também pode ser uma decisão. Como Sartre já dizia, estamos fadados à liberdade.

Entendo que a capacidade de fazer escolha amplia-se à medida que diminui a ignorância.

Por fim, será que todos estão fadados a liberdade aos termos de Sartre? O existencialismo por vezes pode trazer alguns equívocos nas generalizações e, sobretudo, na desconstrução de conceitos e valores, apontando para um vazio de difícil preenchimento, vejamos a “Idade da razão” e a “Náusea”.

a crítica não arranca flores imaginárias dos grilhões para que os homens suportem os grilhões sem fantasia e consolo, mas para que se livrem deles e possam brotar as flores vivas. Karl Marx
« Last Edit: January 18, 2009, 02:27:48 am by Oliveira, D. »